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            <journal-title>Voices: A World Forum for Music Therapy</journal-title>
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         <issn>1504-1611</issn>
         <publisher>
            <publisher-name>Grieg Academy Music Therapy Research Centre, Uni Research
               Health</publisher-name>
         </publisher>
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         <article-id pub-id-type="doi">https://dx.doi.org/10.15845/voices.v17i2.916</article-id>
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            <subj-group>
               <subject>Research</subject>
            </subj-group>
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         <title-group>
            <article-title>Intervenção Musicoterápica Para Mãe-Bebê Pré-termo: Evidências de Um
               Estudo de Caso em Uma UTI Neonatal Brasileira</article-title>
         </title-group>
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                  <surname>Palazzi</surname>
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                  <surname>Piccinini</surname>
                  <given-names>Cesar A.</given-names>
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         <aff id="aff1"><label>1</label>Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil</aff>
         <aff id="aff2"><label>2</label>Instituto de Reabilitação S. Stefano, Itália</aff>
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                  <surname>Ghetti</surname>
                  <given-names>Claire</given-names>
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         <pub-date pub-type="pub">
            <day>1</day>
            <month>7</month>
            <year>2017</year>
         </pub-date>
         <volume>17</volume>
         <issue>2</issue>
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               <year>2017</year>
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            <date date-type="accepted">
               <day>31</day>
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               <year>2017</year>
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            <copyright-statement>Copyright: 2017 The Author(s)</copyright-statement>
            <copyright-year>2017</copyright-year>
         </permissions>
         <abstract>
            <p>O presente estudo investigou as contribuições da musicoterapia para a díade mãe-bebê
               pré-termo, na UTI Neonatal. Foi realizado um estudo de caso único, envolvendo uma mãe
               e sua filha prematura (27 IG) que participaram de nove encontros da Intervenção
               Musicoterápica para Mãe-Bebê Pré-termo – IMUSP, que tinha o objetivo de sensibilizar
               e acompanhar a mãe a cantar para a filha. Após a IMUSP e, na pré-alta e na pós-alta a
               mãe respondeu à entrevistas de avaliação da intervenção e a díade foi filmada durante
               a interação com o canto e não-canto. As entrevistas e as descrições dos vídeos foram
               examinadas através da análise temática. Os resultados mostraram que a musicoterapia
               contribuiu: (1) no empoderamento da bebê, através do relaxamento, da estabilização da
               saturação de oxigênio, da apresentação de novas competências, e da participação e
               envolvimento no canto; e (2) no empoderamento da mãe, através do relaxamento, da
               superação da vergonha e do medo de interagir com a bebê, do fortalecimento das suas
               competências maternas e da autonomia no canto. Em conjunto, os achados evidenciaram a
               importância da musicoterapia para a interação mãe-bebê, uma vez que o canto
               contribuiu para um contato face-a-face mais prolongado e para comportamentos de
               carinho mais diversificados.</p>
         </abstract>
         <kwd-group kwd-group-type="author-generated">
            <kwd>Prematuridade</kwd>
            <kwd>UTI Neonatal</kwd> 
            <kwd>Musicoterapia</kwd>
            <kwd>Canto materno</kwd>
            <kwd>Interação mãe-bebê</kwd>
         </kwd-group>
      </article-meta>
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   <body>
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      <sec>
         <title>Introdução</title>
         <p>Bebês que nascem antes das 37 semanas completas de gestação são considerados pré-termo,
            condição que atinge cerca de 11% dos recém-nascidos no mundo (<xref ref-type="bibr"
               rid="WHO2010">WHO, 2010</xref>). O nascimento prematuro pode impactar no
            desenvolvimento infantil a longo prazo, e a internação do bebê na Unidade de Tratamento
            Intensivo Neonatal (UTINeo) é uma experiência traumática para toda a família, uma vez
            que tanto as mães quanto os pais podem apresentar maiores riscos de estresse, ansiedade
            e depressão (<xref ref-type="bibr" rid="FENS2006">Flacking, Ewald, Nyqvist, &amp;
               Starrin, 2006</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="MDPMNCHSCWHO2012">March of Dimes,
               PMNCH, Save the Children, &amp; WHO, 2012</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="SLSIBPVHMAH2014">Shaw et al.,
               2014</xref>).</p>
         <p>O impacto da prematuridade na relação mãe-bebê ainda representa um assunto controverso.
            A recente metanálise de Bilgin e Wolke (<xref ref-type="bibr" rid="BW2015"
            >2015</xref>), que investigou 34 estudos publicados entre 1980 e 2013, não encontrou
            diferenças significativas na sensibilidade e na responsividade entre mães de prematuros
            e mães de bebês a termo na interação com os filhos nos primeiros anos de vida.</p>
         <p>No entanto, alguns estudos mostraram que a prematuridade pode afetar o vínculo e a
            interação mãe-bebê (<xref ref-type="bibr" rid="FGPBMMN2006">Forcada-Guex, Pierrehumbert,
               Borghini, Moessinger, &amp; Muller-Nix, 2006</xref>; <xref ref-type="bibr"
               rid="KLL2012">Korja, Latva, &amp; Lehtonen, 2012</xref>). A vulnerabilidade biológica
            envolvida na prematuridade somada a fatores psicossociais adversos, podem constituir uma
            situação de múltiplo risco, requerendo ainda mais a realização de intervenções precoces
               (<xref ref-type="bibr" rid="LCMM2003">Linhares, Carvalho, Machado, &amp; Martinez,
               2003</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="MGSSCL2011">Moreira et al., 2011</xref>;
               <xref ref-type="bibr" rid="WTN2009">White-Traut &amp; Norr, 2009</xref>).</p>
         <p>Nesse sentido, a musicoterapia representa uma disciplina emergente no contexto da
            prematuridade, seja na área clínica, seja na pesquisa, mostrando efeitos positivos para
            os bebês, para os pais e para a relação entre eles (<xref ref-type="bibr" rid="H2012"
               >Haslbeck, 2012</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="S2012">Standley, 2012</xref>).
            Muitos estudos evidenciaram as capacidades precoces do feto e do recém-nascido de
            reconhecer e reagir à voz materna e à música (<xref ref-type="bibr" rid="AQ2005"
               >Al-Qahtani, 2005</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="KHLXHYZW2003">Kisilevsky et al.,
               2003</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="MMWL2012">McMahon, Wintermark, &amp; Lahav,
               2012</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="MF2000">Moon &amp; Fifer, 2000</xref>). Além
            disso, o diálogo mãe-bebê, definido por Malloch and Trevarthen (<xref ref-type="bibr"
               rid="MT2009">2009</xref>) como “musicalidade comunicativa”, possui elementos
            musicais específicos que favorecem a atenção do bebê, o desenvolvimento da estrutura
            linguística, a comunicação das emoções e a regulação do comportamento social (<xref
               ref-type="bibr" rid="BOSSB2014">Butler et al., 2014</xref>). Em particular, o canto
            materno, por enfatizar os elementos musicais naturalmente presentes na fala dirigida ao
            bebê, é particularmente eficaz na formação dos vínculos afetivos (<xref ref-type="bibr"
               rid="P2010">Peretz, 2010</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="TBM2015">Trehub, Becker,
               &amp; Morley, 2015</xref>).</p>
         <p>Conforme a recente revisão da literatura de Palazzi, Nunes e Piccinini (<xref
               ref-type="bibr" rid="PNP2017">2017</xref>), entre as intervenções baseadas em música
            na UTINeo é possível encontrar as de musicoterapia, realizadas por musicoterapeutas
               (<xref ref-type="bibr" rid="EOMCSPL2014">Ettenberger et al., 2014</xref>; <xref
               ref-type="bibr" rid="H2014">Haslbeck, 2014</xref>; <xref ref-type="bibr"
               rid="LSDTH2013">Loewy, Stewart, Dassler, Telsey, &amp; Homel, 2013</xref>; <xref
               ref-type="bibr" rid="SCGCSNWPJA2010">Standley et al., 2010</xref>; <xref
               ref-type="bibr" rid="UEKV2016">Ullsten, Eriksson, Klässbo, &amp; Volgsten,
               2016</xref>), e intervenções de estimulação musical ou auditiva realizadas por outros
            profissionais da saúde (<xref ref-type="bibr" rid="AEAES2013">Alipour, Eskandari,
               Ahmari Tehran, Eshagh Hossaini, &amp; Sangi, 2013</xref>; <xref ref-type="bibr"
               rid="KMML2014">Keidar, Mandel, Mimouni, &amp; Lubetzky, 2014</xref>) ou pelos
            próprios pais (<xref ref-type="bibr" rid="ADBRSL2014">Arnon et al., 2014</xref>; <xref
               ref-type="bibr" rid="FDAIG2013">Filippa, Devouche, Arioni, Imberty, &amp; Gratier,
               2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="NRLR2015">Nöcker-Ribaupierre, Linderkamp,
               &amp; Riegel, 2015</xref>). Essas intervenções podem empregar uma abordagem receptiva
            com músicas ou sons gravados (<xref ref-type="bibr" rid="AEAES2013">Alipour et al.,
               2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="SCGCSNWPJA2010">Standley et al.,
            2010</xref>), ou uma abordagem mais ativa através de música e canto ao vivo (<xref
               ref-type="bibr" rid="EOMCSPL2014">Ettenberger et al., 2014</xref>; <xref
               ref-type="bibr" rid="H2014">Haslbeck, 2014</xref>; <xref ref-type="bibr"
               rid="LSDTH2013">Loewy et al., 2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="MSČPPC2012"
               >Malloch et al., 2012</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="UEKV2016">Ullsten et al.,
               2016</xref>).</p>
         <p>A musicoterapia e a estimulação musical têm mostrado efeitos positivos para o bebê
            pré-termo no aumento da saturação do oxigênio, na regulação da frequência cardíaca, na
            frequência respiratória, na promoção do sono, no reforço da sucção não-nutritiva, no
            ganho de peso e na redução dos dias de hospitalização (<xref ref-type="bibr"
               rid="BGG2016">Bieleninik, Ghetti, &amp; Gold, 2016</xref>; <xref ref-type="bibr"
               rid="H2012">Haslbeck, 2012</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="S2012">Standley,
               2012</xref>). Entre as intervenções musicoterápicas destacam-se as que empregam o
            canto ao vivo contingente ao estado do bebê, com canções de ninar, músicas favoritas dos
            pais ou vocalizações improvisadas (<xref ref-type="bibr" rid="MSČPPC2012">Malloch et
               al., 2012</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="S2011">Shoemark, 2011</xref>; <xref
               ref-type="bibr" rid="H2014">Haslbeck, 2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="L2015"
               >Loewy, 2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="UEKV2016">Ullsten et al.,
            2016</xref>). Por exemplo, Haslbeck (<xref ref-type="bibr" rid="H2014">2014</xref>)
            buscou investigar o potencial interativo da Musicoterapia Criativa (MTC) (<xref
               ref-type="bibr" rid="NR1977">Nordoff &amp; Robbins, 1977</xref>) com 18 bebês
            pré-termo. A autora utilizou uma abordagem indutiva baseada nos principios da
               <italic>grounded theory</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="GS1967">Glaser &amp;
               Strauss, 1967</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="SC1998">Strauss &amp; Corbin,
               1998</xref>) e da <italic>therapeutic narrative analysis</italic> (<xref
               ref-type="bibr" rid="AA2002">Aldridge &amp; Aldridge, 2002</xref>). Analisando os
            vídeos das intervenções e as entrevistas dos pais, Haslbeck identificou diversas
            categorias, entre elas: a “musicalidade comunicativa” a partir de episódios de sincronia
            interacional entre musicoterapeuta e bebê, a responsividade da terapeuta aos sinais do
            bebê, e o empoderamento do bebê e dos pais. Nesse sentido, conforme Haslbeck (<xref
               ref-type="bibr" rid="H2013">2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="H2014"
               >2014</xref>), através da “musicalidade comunicativa” na MTC, tanto as mães e pais
            quanto o bebê podem ser empoderados a se autorregular, se orientar, participar e se
            engajar na interação entre eles. Os resultados sugeriram que a MTC favorece a
            autorregulação, a orientação e um maior envolvimento do bebê, bem como promove a
            sensibilidade parental.</p>
         <p>Além de ter benefícios para o bebê pré-termo, intervenções baseadas em música podem
            promover o bem-estar da mãe, reduzindo o estresse e a ansiedade materna (<xref
               ref-type="bibr" rid="JLPG2015">Ak, Lakshmanagowda, G C M, &amp; Goturu,
            2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="ADBRSL2014">Arnon et al., 2014</xref>; <xref
               ref-type="bibr" rid="BGG2016">Bieleninik et al., 2016</xref>; <xref ref-type="bibr"
               rid="C2008">Cevasco, 2008</xref>) e favorecendo o aleitamento (<xref ref-type="bibr"
                  rid="JLPG2015">Ak et al., 2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="KWV2012">Keith,
               Weaver, &amp; Vogel, 2012</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="VBCC2011">Vianna et al.,
               2011</xref>). Em particular, intervenções que envolvem voz e canto materno têm
            efeitos positivos tanto para o bebê quanto para a mãe (<xref ref-type="bibr"
               rid="ADBRSL2014">Arnon et al., 2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="FDAIG2013"
               >Filippa et al., 2013</xref>). Por fim, alguns estudos mostram que a musicoterapia
            contribui para a relação e para a interação mãe-bebê, promovendo o apego, a
            responsividade parental, a sincronia interacional e a “musicalidade comunicativa” entre
            mãe e bebê (<xref ref-type="bibr" rid="C2008">Cevasco, 2008</xref>; <xref
               ref-type="bibr" rid="EOMCSPL2014">Ettenberger et al., 2014</xref>; <xref
               ref-type="bibr" rid="H2014">Haslbeck, 2014</xref>).</p>
         <p>A literatura aponta para maiores benefícios da musicoterapia quando realizada ao vivo
               (<xref ref-type="bibr" rid="ASF2006">Arnon et al., 2006</xref>; <xref ref-type="bibr"
               rid="GBUM2014">Garunkstiene, Buinauskiene, Uloziene, &amp; Markuniene, 2014</xref>),
            enfatizando a importância da participação e do acompanhamento da mãe (<xref
               ref-type="bibr" rid="EOMCSPL2014">Ettenberger et al. 2014</xref>; <xref
               ref-type="bibr" rid="E2011">Edwards, 2011</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="H2014"
               >Haslbeck, 2014</xref>). No entanto, a maioria das pesquisas foca nos efeitos da
            música gravada no bebê pré-termo, sem investigar as perspectivas maternas ou a interação
            mãe-bebê (<xref ref-type="bibr" rid="H2012">Haslbeck, 2012</xref>). Dessa forma, o
            objetivo do presente estudo foi investigar as contribuições da musicoterapia para a
            díade mãe-bebê pré-termo, na UTI Neonatal, com base na estrutura de temas e embasamento
            teórico derivados dos estudos de Haslbeck (<xref ref-type="bibr" rid="H2013"
               >2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="H2014">2014</xref>). A expectativa
            inicial era que a musicoterapia contribuísse para o relaxamento do bebê e da mãe, para a
            sensibilização da mãe na utilização do canto como recurso de interação com o bebê e para
            a qualidade da interação mãe-bebê.</p>
      </sec>
      <!-- sec lvl 2 end -->
      <!-- sec lvl 2 begin -->
      <sec>
         <title>Método</title>
         <!-- sec lvl 3 begin -->
         <sec>
            <title>Participantes</title>
            <p>Participaram desse estudo uma mãe (Natália)<sup><xref ref-type="fn" rid="ftn1">1</xref></sup> e sua filha (Ana) nascida prematura, que não apresentava síndromes ou
               malformações congênitas, e estava internada na UTINeo de um hospital público de Porto
               Alegre (Rio Grande do Sul, Brasil).</p>
            <p>Ana nasceu com uma idade gestacional de 27 semanas<sup><xref ref-type="fn" rid="ftn2">2</xref></sup> e peso de 685 g. O Índice de Apgar<sup><xref ref-type="fn" rid="ftn3">3</xref></sup> ao nascimento foi de 2 (1° minuto), 4 (5° minuto) e 6 (10° minuto). Logo após
               o nascimento, Ana apresentou sepse e disfunção respiratória, sendo por isso colocada
               em uma incubadora aquecida e submetida a intubação orotraqueal. Ana ficou internada
               por 118 dias na UTINeo e recebeu alta com peso de 2620 g, respirando autonomamente e
               conseguindo mamar no seio materno.</p>
            <p>Natalia tinha 24 anos, era residente em Porto Alegre, possuía ensino fundamental
               completo e estava desempregada. Ela tinha três filhos: dois eram de relacionamentos
               anteriores, com idade de um e três anos; e Ana era filha do seu terceiro companheiro,
               João, o qual estava preso há cerca de um ano. A família apresentava nível
               socioeconômico baixo.</p>
         </sec>
         <!-- sec lvl 3 end -->
         <!-- sec lvl 3 begin -->
         <sec>
            <title>Delineamento, procedimentos e instrumentos</title>
            <p>Foi utilizado um delineamento de estudo de caso único (<xref ref-type="bibr"
                  rid="S2006">Stake, 2006</xref>) com cinco fases de coleta de dados. Na Fase 1
               (Pré-intervenção), no 20° dia após o nascimento da bebê, a mãe foi convidada a
               participar do estudo, assinou o <italic>Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
               </italic>e respondeu às seguintes entrevistas: a <italic>Entrevista de maternidade no
                  contexto da prematuridade</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="NUDIFPREPAR2009a"
                  >NUDIF/PREPAR, 2009a</xref>), utilizada para investigar a experiência da
               maternidade no período pós-parto; e a <italic>Entrevista sobre o histórico
                  sonoro-musical da mãe </italic>(<xref ref-type="bibr" rid="PMP2014a">Palazzi,
                  Meschini, &amp; Piccinini, 2014a</xref>), que investigou o ambiente sonoro, as
               experiências e as preferências musicais da mãe ao longo da vida e durante a gestação.
               As duas entrevistas são estruturadas, mas foram realizadas de forma semi-dirigida.
               Ainda, nessa fase foi preenchida a <italic>Ficha de dados demográficos
                  </italic>(<xref ref-type="bibr" rid="NUDIFPREPAR2009b">NUDIF/PREPAR, 2009b</xref>)
               bem como a <italic>Ficha de dados clínicos do bebê pré-termo e da mãe/pós-parto
                  </italic>(<xref ref-type="bibr" rid="NUDIFPREPAR2009c">NUDIF/PREPAR,
               2009c</xref>), que foi atualizada em todas as fases de coleta de dados.</p>
            <p>Na Fase 2 (Intervenção), uma semana após a Fase 1, a mãe participou da
                  <italic>Intervenção Musicoterápica para Mãe-Bebê Pré-termo – </italic>IMUSP (<xref
                  ref-type="bibr" rid="PMP2014b">Palazzi, Meschini, &amp; Piccinini, 2014b</xref>).
               A IMUSP é uma intervenção de musicoterapia, que visa sensibilizar e acompanhar a mãe
               a cantar para seu bebê na UTINeo. Foi desenvolvida para o presente estudo, com base
               em outros estudos de musicoterapia no contexto da prematuridade. A IMUSP está
               organizada em oito encontros, divididos em sessões com a mãe, alternadas com
               encontros com a díade mãe-bebê na UTINeo. Entretanto, para atender a disponibilidade
               da mãe e se adequar às restrições de espaço físico da UTINeo, a estrutura da IMUSP
               precisou ser adaptada, no presente estudo, conforme descrito abaixo. Além disto, em
               função da instabilidade clínica de Ana, os encontros com ela começaram quando ela
               estava com 31 semanas de idade pós-menstrual<sup><xref ref-type="fn" rid="ftn4">4</xref></sup>. A IMUSP foi realizada em nove encontros (um por semana ao longo de dois
               meses), pela primeira autora deste artigo, musicoterapeuta, com a supervisão clínica
               da segunda autora, também musicoterapeuta.</p>
            <p>O Encontro 1 envolveu apenas a mãe, foi realizado em uma sala da Unidade de
               Neonatologia e durou aproximadamente 45 minutos; os encontros 2, 3, 4 e 5 foram
               realizados na UTINeo com a mãe e a bebê na incubadora; e, os encontros 6, 7, 8 e 9
               foram realizados com Natalia em contato pele-a-pele com Ana (posição canguru). Os
               encontros com a díade na UTINeo duraram de 15 a 20 minutos. No Encontro 1 foram
               realizadas atividades de canto das músicas selecionadas pela mãe (“Fico assim sem
               você” de Claudinho e Buchecha e a canção de ninar “Nana nenê”), com e sem
               acompanhamento ao violão. Os encontros 2, 3 e 4 objetivaram acompanhar a mãe durante
               a experiência de canto para a filha, estimulando a observação dos sinais da bebê e
               aprofundando os aspectos relacionais do canto. Os encontros 5 e 6 focaram no canto
               improvisado <italic>a bocca chiusa</italic> com a díade na UTINeo e, por fim, nos
               encontros 7, 8 e 9 foram realizadas atividade de paródia e composição musical.<sup><xref ref-type="fn" rid="ftn5">5</xref></sup>
            </p>
            <p>Na Fase 3 (Pós-intervenção), na semana seguinte à conclusão da IMUSP, a mãe respondeu
               à <italic>Entrevista de avaliação da intervenção musicoterápica para mãe-bebê
                  pré-termo</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="NUDIFPREPAR2014b">NUDIF/PREPAR,
                  2014b</xref>), que investigou o impacto da intervenção em vários aspectos, entre
               os quais os sentimentos maternos em relação à musicoterapia, à musicoterapeuta e à
               satisfação com o atendimento, bem como suas percepções quanto às mudanças em relação
               à bebê e ao vínculo. Trata-se de uma entrevista estruturada realizada de forma
               semi-dirigida.</p>
            <p>Também, foi realizada uma sessão de <italic>Observação da interação mãe-bebê
                  pré-termo </italic>(<xref ref-type="bibr" rid="PP2014">Palazzi &amp; Piccinini,
                  2014</xref>), enquanto a mãe cantava para a filha na UTINeo, com o objetivo de
               observar os comportamentos da bebê e da mãe e as interações mãe-bebê, durante
               episódios de canto e não-canto. A mãe foi orientada a interagir com a bebê
               aproximadamente de 2 a 8 minutos durante cada episódio. As sessões de observação
               foram filmadas pela própria musicoterapeuta, primeira autora deste estudo ou por uma
               estudante de psicologia que a auxiliava. As filmagens focaram na interação da mãe com
               sua bebê e foram realizadas com uma filmadora GoPro Hero 3+, utilizada dentro da
               UTINeo, ou uma filmadora Sony DCR-sr85, utilizada fora da UTINeo.</p>
            <p>Na Fase 4 (Pré-alta), realizada antes da alta hospitalar da bebê, a mãe respondeu a
               uma nova entrevista de avaliação, adaptada para a pré-alta, e foi realizada uma nova
               sessão de observação, enquanto a mãe amamentava a filha na UTINeo. Por fim, na Fase 5
               (Pós-alta), uma semana após a alta, quando retornaram para uma consulta, foi
               realizada uma nova sessão de observação em uma sala do hospital, que envolveu um
               momento em que a mãe cantava para a bebê e outro enquanto trocava a fralda. As
               entrevistas com a mãe na Fase 1, todos os encontros da IMUSP e as sessões de
               observação da interação na Fase 3 e na Fase 5 foram realizadas pela primeira autora
               deste estudo. Já, as entrevistas de avaliação da intervenção nas Fases 3 e 4 e a
               observação da interação na Fase 4, bem como o preenchimento de todas as fichas de
               dados clínicos da bebê ao longo das fases, foram realizadas por uma estudante de
               psicologia. Todas as observações da interação mãe-bebê e todos os encontros da IMUSP,
               com exceção do Encontro 2, foram filmados ou áudio-gravados. A transcrição das
               entrevistas foi realizada por dois estudantes de psicologia. O presente estudo foi
               aprovado pelo Comitê de Ética do Instituto de Psicologia da UFRGS (n° 985.941) e do
               hospital (n° 1.069.283).</p>
         </sec>
         <!-- sec lvl 3 end -->
         <!-- sec lvl 3 begin -->
         <sec>
            <title>Análise dos dados</title>
            <p>Para fins de análise, foram examinadas as entrevistas realizadas com a mãe na
               pré-IMUSP (Fase 1), na pós-IMUSP (Fase 3) e na pré-alta (Fase 4), bem como os vídeos
               realizados com a mãe-bebê durante a IMUSP (Fase 2) e nas sessões de observação (Fase
               3, 4 e 5). As entrevistas iniciais foram utilizadas para a caracterização do caso. Já
               as entrevistas de avaliação na pós-IMUSP e na pré-alta foram examinadas através da
               análise temática (<xref ref-type="bibr" rid="BC2006">Braun &amp; Clarke,
               2006</xref>), buscando compreender as percepções maternas com relação às
               contribuições da musicoterapia para a díade mãe-bebê pré-termo na UTI Neonatal, em
               particular para o bebê, para a mãe e para a interação mãe-bebê.</p>
            <p>Os vídeos dos encontros da<italic> </italic>IMUSP foram analisados através dos
               seguintes passos: 1) Inicialmente, foram assistidos os vídeos e foi realizado um
               relato geral de todos os encontros; 2) Dos seis encontros filmados, foram
               selecionados três encontros (4, 6 e 9)<sup><xref ref-type="fn" rid="ftn6">6</xref></sup>, em que se identificou e selecionou o primeiro episódio de não-canto (3-4
               minutos) e o último episódio de canto materno (3-8 minutos) do respectivo encontro,
               totalizando aproximadamente 14 minutos de canto e 11 minutos de não-canto<sup><xref ref-type="fn" rid="ftn7">7</xref></sup>; 3) Em seguida, a autora fez descrições detalhadas dos comportamentos da bebê
               e da mãe e das interações mãe-bebê durante os episódios de canto e não-canto. Foram
               registrados o tempo inicial e final de cada comportamento observado, o que permitiu
               ter também informações sobre a duração dos comportamentos da mãe e da bebê e das
               interações entre elas.</p>
            <p>Com relação aos vídeos das sessões de <italic>Observação da interação mãe-bebê
                  pré-termo </italic>(Fase 3, 4 e 5), foi utilizado um procedimento semelhante: 1)
               Foram identificados e selecionados os últimos três minutos de cada vídeo, totalizando
               aproximadamente seis minutos de canto e quatro minutos de não-canto<sup><xref ref-type="fn" rid="ftn8">8</xref></sup>; 2) Em seguida, a autora fez descrições detalhadas dos comportamentos da bebê
               e da mãe e das interações mãe-bebê durante os episódios de canto e não-canto,
               destacando o tempo inicial e final de cada comportamento observado, o que permitiu
               ter também informações sobre a duração dos comportamentos e das interações. Todas as
               descrições dos vídeos foram posteriormente checadas por uma estudante de psicologia,
               buscando-se o consenso. As entrevistas e os vídeos contribuíram para a triangulação
               dos dados (<xref ref-type="bibr" rid="S2006">Stake, 2006</xref>), permitindo um
               aprofundamento sobre o caso com base tanto nas percepções maternas quanto nos
               comportamentos da bebê e da mãe e das interações entre elas.</p>
            <p>Os dados foram integrados e analisados através da análise temática (<xref
                  ref-type="bibr" rid="BC2006">Braun &amp; Clarke, 2006</xref>), por meio de uma
               abordagem dedutiva com base na estrutura de temas e embasamento teórico de Haslbeck
                  (<xref ref-type="bibr" rid="H2013">2013</xref>; <xref ref-type="bibr"
                  rid="H2014">2014</xref>). A análise baseou-se em dois temas:<bold> </bold>(1)
                  <italic>empoderamento da bebê</italic>; e, (2) <italic>empoderamento da mãe.
               </italic>Em particular, procedeu-se à leitura e releitura das entrevistas e das
               descrições, identificando as vinhetas e os trechos das descrições das observações que
               retratassem cada um dos temas de análise.</p>
            <p>A estrutura de temas de Haslbeck (<xref ref-type="bibr" rid="H2013">2013</xref>,
                  <xref ref-type="bibr" rid="H2014">2014</xref>) foi originalmente criada a
               partir de estudos envolvendo o processo terapêutico musicoterapeuta-bebê pré-termo,
               foi adaptada para o presente estudo para contemplar o processo de interação mãe-bebê
               pré-termo. Sendo assim, os temas que nos estudos originais referiam-se aos
               comportamentos do musicoterapeuta, foram adaptados e empregados para se analisar os
               comportamentos maternos. A estrutura original envolvia também o tema da
               responsividade entre musicoterapeuta-bebê, que não foi utilizado nesse estudo, uma
               vez que esta dimensão e outras envolvendo trocas mãe-bebê foram incluídas nos temas
               do empoderamento do bebê e do empoderamento da mãe. Além disso, a estrutura original
               envolvia o tema da musicalidade comunicativa, que foi investigado nesse estudo
               também, mas que será analisado e aprofundado em uma futura publicação. Por fim, aos
               temas derivados da literatura foram acrescentados específicos aspectos originados dos
               dados desse estudo.</p>
            <fig id="fig1"> 
                  <label>Figura 1. Fluxograma do processo de análise.</label>
                  <caption>
                  </caption>
                  <graphic id="graphic1"
                     xlink:href="Pictures/916_fig1_fluxograma.png"/>
            </fig>
         </sec>
         <!-- sec lvl 3 end -->
      </sec>
      <!-- sec lvl 2 end -->
      <!-- sec lvl 2 begin -->
      <sec>
         <title>Resultados</title>
         <p>Os resultados serão apresentados em duas seções: a primeira apresenta as entrevistas e
            as observações sobre o <italic>empoderamento da bebê</italic>, enquanto a segunda
            refere-se ao <italic>empoderamento da mãe</italic>. Durante a exposição dos resultados,
            cada tema será mais detalhado e ilustrado com as vinhetas das entrevistas e os trechos
            das descrições das observações dos comportamentos da bebê e da mãe e das interações
            mãe-bebê, durante os episódios de canto e não-canto.</p>
         <!-- sec lvl 3 begin -->
         <sec>
            <title>Empoderamento da bebê</title>
            <p>Conforme a definição de Haslbeck (<xref ref-type="bibr" rid="H2013">2013</xref>,
                  <xref ref-type="bibr" rid="H2014">2014</xref>), o <italic>empoderamento do
                  bebê</italic> se refere à capacidade do bebê de relaxar, se acalmar, aumentar a
               sua autorregulação, orientação e interação. Este tema envolve o relaxamento do bebê,
               a apresentação de novas competências, a participação e o envolvimento no canto e, no
               presente estudo, foi ampliado para englobar também a estabilização da saturação de
               oxigênio.</p>
            <p>Nos primeiros encontros da IMUSP, a bebê era ainda bastante instável, mostrando
               agitação e quedas de saturação. Por isso, no encontro 4 não foi possível identificar
               o <italic>empoderamento da bebê</italic> durante o canto e não-canto. Já no encontro
               6, Ana mostrou-se relaxada e em estado de sono tranquilo durante o canto e não-canto.
               Ainda, no encontro 9, evidenciou-se que o canto contribuiu para um maior relaxamento
               da bebê, em comparação ao não-canto. Nesse encontro perceberam-se novas competências
               da bebê e a sua participação e o seu envolvimento no canto. De fato, enquanto a mãe
               cantava, a bebê estava em estado de alerta calmo, mexendo-se e vocalizando:</p>
            <list>
               <list-item>
                  <p>
                     (05:06)<sup><xref ref-type="fn" rid="ftn9">9</xref></sup> A mãe está com a filha no colo e a levanta, aproximando-a do seu
                        rosto e continuando a cantar.
                  </p>
               </list-item>
               <list-item>
                  <p>(05:12) Ana vocaliza um glissando descendente (Lá#4 Ré#4 Mi4). A
                     mãe olha para a filha, continuando a cantar.</p>
               </list-item>
               <list-item>
                  <p>
                     (05:28) Ana mexe a cabeça, vocaliza de novo (glissando de Lá4 até Mi4
                        aproximadamente) e continua a se mexer. (E9/canto)<sup><xref ref-type="fn" rid="ftn10">10</xref></sup>
                  </p>
               </list-item>
            </list>
            <p>Na pós-IMUSP e na pré-alta, o <italic>empoderamento da bebê</italic> apareceu de
               forma mais evidente. Por exemplo, durante a entrevista de avaliação da intervenção,
               Natalia relatou que os encontros da IMUSP e as experiências de canto autônomo
               realizadas por ela ajudaram a filha a se acalmar quando estava agitada:</p>
            <disp-quote>
               <p>Mas depois vendo que ela gostava que eu cantasse pra ela, com ela no colo ou com
                  ela ali na incubadora, tocando nela, eu sentia que ela ficava bem mais calma
                  quando ela tava agitada, ela gostava muito, até agora ela gosta. (Ent3).</p>
            </disp-quote>
            <p>Além de favorecer o relaxamento da bebê, a IMUSP contribuiu na estabilização da
               saturação de Ana, uma vez que a mãe relatou que quando cantava sua saturação
               aumentava e se mantinha mais estável. Natalia destacou o efeito positivo conjunto do
               canto e da posição canguru em restabelecer a saturação de oxigênio: <italic>“Quando
                  começa a cair a saturação dela, peço pra pegar ela no colo e fico cantando,
                  nanando ela, daí ela meio que se restabelece.” </italic>(Ent3). Além disso, a mãe
               relatou que quando ela falava com a filha, Ana continuava a manifestar quedas de
               saturação, enquanto durante o canto, a bebê conseguia manter mais a saturação:</p>
            <disp-quote>
               <p>Quando eu não canto, ela fica quietinha no canto dela, daí ela tá sempre dando os
                  picos [de saturação] dela né. Quando eu canto, quando ela tá no meu colo, eu
                  cantando pra ela, ela se mantém. Daí ela fica se mantendo, não tem tantos picos,
                  do que se eu não tô cantando pra ela. Isso eu noto. (Ent4)</p>
            </disp-quote>
            <p>O relaxamento durante o canto materno também foi evidenciado na descrição da sessão
               de observação de canto na pós-IMUSP. De fato, a bebê dormiu a sessão inteira, sem
               manifestar sinais de agitação, enquanto a mãe improvisava um canto <italic>a bocca
                  chiusa, </italic>embalava e fazia carinho na filha. A mãe também relatou que, a
               partir dos encontros de musicoterapia, a bebê mostrou reconhecer a voz materna e
               reagir ao canto, abrindo os olhos e sorrindo:</p>
            <disp-quote>
               <p>Eu sinto que ajudaram ela porque daí ela acho que observa mais as vozes, ela já
                  reconhece né as vozes, ela já reconhece a minha voz das outras … das outras
                  enfermeiras, acho que ela já reconhece.; É que ela já reconhece a minha voz. Às
                  vezes, ela abre o olho, às vezes ela não [ … ], só dá um sorriso no canto do
                  lábio. (Ent3).</p>
            </disp-quote>
            <p>Na pré e pós-alta, tanto a entrevista quanto as descrições das sessões de observação,
               evidenciaram o <italic>empoderamento da bebê</italic> através da apresentação de
               novas competências e da participação e o envolvimento no canto, mais do que no
               relaxamento, como havia sido destacado na pós-IMUSP. De fato, durante o canto e o
               não-canto a filha interagia ativamente através do olhar, do contato face-a-face
               prolongado com a mãe e das vocalizações:</p>
            <list>
               <list-item>
                  <p>(02:43) A bebê olha para mãe.</p>
               </list-item>
               <list-item>
                  <p>(04:34) A bebê volta a olhar a mãe e para de mamar.</p>
               </list-item>
               <list-item>
                  <p>(04:36) A mãe abre mais os olhos olhando a filha e levantando de
                     novo as sobrancelhas, a bebê segue o olhar da mãe e elas mantêm olhar recíproco
                     prolongado até 04:41 quando a mãe pergunta “Que que foi?”.</p>
               </list-item>
               <list-item>
                  <p>(05:02) A bebê para de sugar, segue o olhar da mãe e mexe a mão no
                     peito da mãe até 05:12.</p>
               </list-item>
               <list-item>
                  <p>
                     (05:36) A bebê estende o braço. (Ob4/não-canto);</p>
               </list-item>
               <list-item>
                  <p>(00:45) A bebê vocaliza mais prolongadamente.</p>
               </list-item>
               <list-item>
                  <p>
                     (00:59) A bebê resmunga e vocaliza de novo (Sol#4 Fá#4 Sol#4), enquanto
                        a mãe está colocando de novo as roupas dela. (Ob5/não-canto)</p>
               </list-item>
            </list>
            <p>Durante o canto ocorreram muitos olhares recíprocos prolongados mãe-bebê. Isso pode
               ser observado nos momentos em que Ana se engajou não apenas através do olhar ou de
               pequenos gestos como durante a amamentação sem canto, mas empregando amplos
               movimentos dos braços, vocalizações diversificadas e várias expressões faciais. A
               bebê olhava para a mãe mais frequentemente durante o canto, em comparação ao
               não-canto:</p>
            <list>
               <list-item>
                  <p>(06:41) Na pausa do canto materno, a bebê vocaliza de forma clara
                     e prolongada.</p>
               </list-item>
               <list-item>
                  <p>(06:50) Depois de resmungar, a bebê olha a mãe e mexe os braços,
                     enquanto a mãe continua embalando e cantando.</p>
               </list-item>
               <list-item>
                  <p>
                     (07:30) Contato face-a-face e o olhar recíproco mãe-bebê. Ana mostra a
                        língua, Natalia sorri enquanto canta.
                  </p>
               </list-item>
               <list-item>
                  <p>(07:33) Contato face-a-face mãe-bebê, a mãe sorri, a bebê olha
                     para outro lado.</p>
               </list-item>
               <list-item>
                  <p>(07:38) A bebê volta a olhar a mãe, contato face-a-face, a mãe
                     sorri.</p>
               </list-item>
               <list-item>
                  <p>(07:42) A mãe continua cantando, embalando, sorrindo e olhando a
                     filha, a bebê olha a mãe, contato face-a-face.</p>
               </list-item>
               <list-item>
                  <p>
                     (07:45) A bebê mostra a língua e ao mesmo tempo a mãe aproxima o nariz
                        ao nariz da bebê (termina o contato face-a-face). (Ob5/canto)</p>
               </list-item>
            </list>
         </sec>
         <!-- sec lvl 3 end -->
         <!-- sec lvl 3 begin -->
         <sec>
            <title>Empoderamento da mãe</title>
            <p>Conforme a definição de Haslbeck (<xref ref-type="bibr" rid="H2013">2013</xref>,
                  <xref ref-type="bibr" rid="H2014">2014</xref>) o <italic>empoderamento da mãe
               </italic>refere-se à capacidade da mãe em relaxar, acalmar-se, interagir com o bebê e
               aumentar as competências maternas. Esse tema envolve o relaxamento da mãe, o
               fortalecimento das competências maternas e, no presente estudo, foi ampliado para
               englobar também a superação da vergonha e do medo de interagir com a bebê e a
               autonomia no canto.</p>
            <p>Durante a realização da IMUSP, nos primeiros encontros a mãe mostrava-se agitada e
               ansiosa ao cantar para a filha. Entretanto, no encontro 4 ela preparava-se para a
               experiência de canto, fechando os olhos e apoiando-se na incubadora, indicando uma
               tentativa de relaxamento. As descrições do encontro 4 mostraram autonomia no canto
               materno, uma vez que ela cantava para a bebê <italic>a bocca chiusa</italic>, sem
               aguardar a musicoterapeuta:</p>
            <list>
               <list-item>
                  <p>(11:52) A mãe recomeça a cantar de forma autônoma, sempre em
                     tonalidade de Sib maior, a musicoterapeuta acompanha logo depois.</p>
               </list-item>
               <list-item>
                  <p>
                     (12:16) Natalia recomeça autonomamente a estrofe, cantando de olhos
                        abertos e controlando os sinais da bebê. (E4/canto)</p>
               </list-item>
            </list>
            <p>O relaxamento da mãe apareceu mais claramente nas descrições dos episódios de canto
               dos encontros 6 e 9. Enquanto cantava em posição canguru com a filha, Natalia fechava
               os olhos e apoiava a cabeça ou a boca na cabeça de Ana, por um tempo prolongado. Esse
               comportamento não foi encontrado nos episódios de não-canto da IMUSP, indicando que
               provavelmente Natalia associava esta posição com a experiência de canto para a filha.
               Ainda, destacaram-se a superação da vergonha e do medo de interagir com a filha, que
               tinham sido relatadas como dificuldades da mãe nas entrevistais iniciais, e o
               fortalecimento das competências maternas, como o toque, o carinho para a filha e a
               capacidade de responder de uma forma contingente aos seus sinais:</p>
            <list>
               <list-item>
                  <p>
                    (15:43) Natalia apoia a boca na cabeça de Ana, fazendo carinho no corpo
                        dela e cantando a bocca chiusa com intensidade pianissimo. A mãe canta de
                        olhos fechados, fazendo carinhos amplos e rítmicos no corpo da filha.
                        Natalia permanece nessa mesma posição até 17:46. (E6/canto);</p>
               </list-item>
               <list-item>
                  <p>(05:04) Ana resmunga e a mãe olha para ela, cerrando as
                     sobrancelhas.</p>
               </list-item>
               <list-item>
                  <p>
                   (05:12) Ana vocaliza um glissando descendente (Lá#4 Ré#4 Mi4) e Natalia
                        dá um beijo nela logo depois, sorri e fala algo com intensidade pianissimo
                        para ela. (E9/canto)</p>
               </list-item>
            </list>
            <p>Nos episódios de não-canto dos mesmos encontros (6 e 9) também percebeu-se o
               fortalecimento das competências maternas, como tocar na bebê e mostrar comportamentos
               de afeto. Entretanto, a mãe frequentemente alternava o foco do seu olhar, as vezes na
               filha, as vezes na própria UTINeo:</p>
            <list>
               <list-item>
                  <p>(02:16) Natalia olha lateralmente.</p>
               </list-item>
               <list-item>
                  <p>(02:19) A mãe volta a olhar a filha.</p>
               </list-item>
               <list-item>
                  <p>(02:32) A mãe olha lateralmente e logo depois volta a olhar a
                     filha.</p>
               </list-item>
               <list-item>
                  <p>(02:33) A mãe faz 'sh' para a filha e dá um beijo na cabeça
                     dela.</p>
               </list-item>
               <list-item>
                  <p>(02:40) Natalia olha rapidamente para a frente e depois volta a
                     olhar a filha.</p>
               </list-item>
               <list-item>
                  <p>
                    (02:44) A mãe faz carinhos no corpo da filha dentro do jaleco e olha
                        para o corpo de Ana. (E9/não-canto).</p>
               </list-item>
            </list>
            <p>Por fim, se observou uma maior autonomia da mãe com o canto em comparação aos
               encontros anteriores, uma vez que a mãe improvisou de forma espontânea cantos
                  <italic>a bocca chiusa</italic> para a filha:</p>
            <list>
               <list-item>
                  <p>(18:01) A mãe para de fazer carinhos e canta sem o apoio vocal da
                     musicoterapeuta.</p>
               </list-item>
               <list-item>
                  <p>
                    (18:10) A mãe improvisa uma melodia, cantando a bocca chiusa de forma
                        autônoma. (E6/canto)</p>
               </list-item>
            </list>
            <p>Na pós-IMUSP, o <italic>empoderamento da mãe</italic> foi evidenciado no relaxamento
               materno tanto na entrevista de avaliação quanto na sessão de observação. De fato, a
               mãe relatou “<italic>se sentir bem</italic>” e mais “<italic>aliviada</italic>”
               durante os encontros de musicoterapia e quando cantava para Ana. As falas da mãe
               também destacaram que a musicoterapia a ajudou a se<italic> “soltar um pouco
                  mais</italic>”, a “<italic>ter menos vergonha</italic>” de conversar com a filha e
               a superar o medo de tocar nela, uma vez que o canto foi sempre realizado em conjunto
               ao toque ou à posição canguru. Isso contribuiu para “<italic>criar um
                  vínculo</italic>” entre mãe e bebê, para estimular o interesse de Natalia pela
               filha e para ajudá-la no seu “<italic>jeito de cuidar”</italic> dela:</p>
            <disp-quote>
               <p>Me ajudaram, bastante. Em todos, em todos os sentidos. Me ajudaram muito com a
                  Ana, me ajudaram do A a Z. Porque no começo, eu não dava tanta bola, não procurava
                  tanto. Mas agora não, eu quero saber, eu quero o porquê, aquela coisa toda, eu
                  quero tocar, eu quero pegar, eu quero mexer, eu quero interagir com a Ana. Antes
                  não tanto, né, eu ficava mais … Agora não, agora eu quero, eu quero. E isso me
                  ajudou, os encontros me ajudou bastante. (Ent3).</p>
            </disp-quote>
            <p>Além disso, a musicoterapia contribuiu no fortalecimento das competências maternas e
               na autonomia no canto, uma vez que Natalia integrou o canto <italic>a bocca
                  chiusa</italic> na sua rotina diária da UTINeo, utilizando-o como um recurso para
               acalmar a filha quando estava agitada ou durante as quedas de saturação:</p>
            <disp-quote>
               <p>Uma vez por dia aqui eu sempre faço. Pode ser só um pouquinho, mas … ; Ela tá
                  quietinha na incubadora, mas geralmente é os picos [quedas de saturação] que ela
                  vai dando né. Daí eu procuro cantar, daí eu abraço ela e fico cantando pra ela,
                  nanando. (Ent3).</p>
            </disp-quote>
            <p>De forma semelhante, as descrições da sessão de observação na pós-IMUSP mostraram que
               Natalia cantava autonomamente para a filha, improvisando <italic>a bocca
                  chiusa</italic>, e adicionando ao canto muitos comportamentos de carinho
               prolongados e diversificados:</p>
            <list>
               <list-item>
                  <p>(02:21) Natalia abre os olhos, olha a filha e dá um beijo
                     nela.</p>
               </list-item>
               <list-item>
                  <p>(02:33) A mãe olha a filha, segurando a mão e dando leves batidas
                     rápidas na bundinha dela.</p>
               </list-item>
               <list-item>
                  <p>(02:46) A mãe toca no ouvido e na bochecha da filha e, ao mesmo
                     tempo, acaricia com a sua bochecha a cabeça dela.</p>
               </list-item>
               <list-item>
                  <p>
                    (03:06) Natalia volta a cantar, enquanto acaricia de forma mais ampla a
                        filha, olhando para ela. (Ob3/canto)</p>
               </list-item>
            </list>
            <p>Na entrevista na pré-alta (Fase 4), o <italic>empoderamento da mãe</italic> apareceu
               mais através do fortalecimento das competências maternas e da autonomia no canto, do
               que através do relaxamento, evidenciando-se nessa fase o potencial interativo do
               canto. Em resposta a uma pergunta da entrevistadora sobre as contribuições dos
               encontros de musicoterapia, Natalia referiu:</p>
            <disp-quote>
               <p>Além disso, de poder conversar com ela, sei lá, tudo. A ter um pouco mais de
                  intimidade com ela, a me soltar, acariciar um pouquinho ela mais né, não ter tanto
                  medo, eu, receio assim de … ficar perto dela e conversar com ela pensando que ela
                  não entendesse, mas ela entende tudo. (Ent4).</p>
            </disp-quote>
            <p>Entretanto, na pré-alta Natalia relatou que não estava mais cantando para a filha,
               explicando que Ana não estava mais agitada, que estava ficando mais no colo dela e
               que, por isso, ela estava preferindo simplesmente conversar com ela.</p>
            <p>De fato, na pré e pós-alta, nos episódios de não-canto, percebeu-se que a mãe
               conversava com a filha utilizando a fala dirigida à bebê<sup><xref ref-type="fn" rid="ftn11">11</xref></sup> de uma forma contingente aos comportamentos da bebê, como o olhar e o
               mamar:</p>
            <list>
               <list-item>
                  <p>(04:41) Continua o contato face-a-face mãe-bebe, a bebê não mama
                     mais e a mãe repete “Que que foi?”.</p>
               </list-item>
               <list-item>
                  <p>
                     (04:48) A mãe solicita uma resposta da filha falando “Mmm?” (Fá#4) e
                        embala levemente ela, a bebê olha para a mãe.
                  </p>
               </list-item>
               <list-item>
                  <p>(04:51) Contato face-a-face mãe-bebê, a bebê não mama, a mãe
                     pergunta “Não quer mais mamar?”.</p>
               </list-item>
               <list-item>
                  <p>
                   (04:54) A bebê volta a sugar e a mãe fala “Ah! Quer, sim!” enquanto
                        pega a mão da filha e faz carinho no rosto dela.
                        (Ob4/não-canto)<italic>.</italic>
                  </p>
               </list-item>
            </list>
            <p>Embora na pré-alta a mãe tivesse parado de cantar para a filha, ela afirmou que
               pretendia utilizar o canto em casa, junto com toda sua família, quando a bebê
               estivesse agitada, para ajudar ela a se acalmar e dormir. De acordo com as falas de
               Natalia, parece que a musicoterapia representou uma etapa de transição para a mãe
               despertar suas competências maternas, conectar-se com a filha e conversar mais com
               ela. Na pós-alta (Fase 5) foi observado que, enquanto cantava, Natalia mostrava-se
               mais dedicada e com atenção exclusiva para a filha, manifestando comportamentos de
               carinho mais diversificados e possibilitando mais contato face-a-face e interações
               com a filha:</p>
            <list>
               <list-item>
                  <p>(08:05) Contato face-a-face mãe-bebê, a mãe continua dando leves
                     batidas na bundinha e cantando, a bebê olha a mãe.</p>
               </list-item>
               <list-item>
                  <p>(08:07) A mãe faz carinho com o nariz no nariz da filha, ao mesmo
                     tempo a bebê resmunga.</p>
               </list-item>
               <list-item>
                  <p>
                     (08:13) A bebê mostra a língua, a mãe sorri, pega os bracinhos da filha
                        e mexe os bracinhos. (Ob5/canto)</p>
               </list-item>
            </list>
            <p>Na pré e na pós-alta percebeu-se que a mãe respondia de uma forma contingente aos
               sinais da bebê, por exemplo, imitando a sua expressão facial, respondendo ao contato
               visual da bebê e fazendo uma pausa no canto para aguardar as suas respostas:</p>
            <list>
               <list-item>
                  <p>(00:07) A bebê faz contato visual com a mãe e a mãe fala “Calma”
                     para ela. A bebê olha para a mãe.</p>
               </list-item>
               <list-item>
                  <p>
                    (02:45) A mãe sorri e abre mais os olhos e vira a cabeça para a
                        direita, depois dá um carinho no rosto da filha, na cabeça e no corpo,
                        contato face-a-face mãe-bebê. (Ob4/não-canto).</p>
               </list-item>
            </list>
            <p>Entretanto, quando a mãe não cantava mostrava uma alternância de foco no seu olhar,
               às vezes olhando para a filha, outras vezes focando no ambiente da UTINeo:</p>
            <list>
               <list-item>
                  <p>
                     (03:28) A bebê mexe os olhos e parece parar de mamar. A mãe olha a
                        filha sem fazer outros movimentos.
                  </p>
               </list-item>
               <list-item>
                  <p>(03:36) A bebê recomeça a mamar, a mãe olha a bebê sem fazer
                     outros movimentos.</p>
               </list-item>
               <list-item>
                  <p>(03:55) A mãe olha para frente, a bebê continua mamando.</p>
               </list-item>
               <list-item>
                  <p>
                    (04:04) A mãe volta a olhar a filha, a bebê mama e olha para a
                        mãe.
                  </p>
               </list-item>
               <list-item>
                  <p>
                    (04:06) A mãe volta a olhar para frente, a bebê mama.
                     (Ob4/não-canto)</p>
               </list-item>
            </list>
            <p>Já, quando a mãe cantava, os comportamentos de carinho e o contato face-a-face eram
               mais prolongados. De fato, na pós-alta, a mãe olhou a bebê durante toda a sessão de
               observação:</p>
            <list>
               <list-item>
                  <p>(06:58) A bebê olha para o lado e depois de novo a mãe e
                     arrota.</p>
               </list-item>
               <list-item>
                  <p>(07:03) A mãe sorri e faz um carinho com o nariz no nariz da
                     filha.</p>
               </list-item>
               <list-item>
                  <p>(07:19) A bebê arregala os olhos, olhando a mãe.</p>
               </list-item>
               <list-item>
                  <p>(07:22) Natalia imita a expressão facial da bebê.</p>
               </list-item>
               <list-item>
                  <p>
                   (09:22) A mãe para de embalar e faz uma pausa no canto onde faz carinho
                        com o nariz na bebê, faz uma outra pausa e levanta a cabeça para olhar as
                        respostas da filha, e depois faz outro carinho com o nariz cantando. Contato
                        face-a-face. (Ob5/canto).</p>
               </list-item>
            </list>
         </sec>
         <!-- sec lvl 3 end -->
      </sec>
      <!-- sec lvl 2 end -->
      <!-- sec lvl 2 begin -->
      <sec>
         <title>Discussão</title>
         <p>O presente estudo investigou as contribuições da musicoterapia para a díade mãe-bebê
            pré-termo, em uma UTI Neonatal brasileira. Com base na literatura, a expectativa inicial
            era de que a musicoterapia contribuisse para o relaxamento do bebê e da mãe, para a
            sensibilização da mãe na utilização do canto como recurso de interação com o bebê e para
            a qualidade da interação mãe-bebê.</p>
         <p>Com relação ao primeiro tema analisado, o <italic>empoderamento da bebê</italic>,
            percebeu-se que, na medida que a bebê foi crescendo e seu estado de saúde foi
            estabilizando, houve um aumento do seu <italic>empoderamento</italic>, uma vez que ela
            conseguiu gradativamente relaxar mais, estabilizar e manter a saturação de oxigênio e
            apresentar pequenas competências. Tais aspectos foram observados a partir dos últimos
            encontros da IMUSP, na pós-IMUSP e na pré- e pós-alta, quando Ana apresentou novas
            competências, participando e se envolvendo no canto. É claro que esta evolução está
            primeiramente associada e à melhora clínica e ao desenvolvimento da bebê, mas as
            evidências sugerem que a musicoterapia também contribui, uma vez que, quando a mãe
            cantava, a filha participava e engajava-se mais na interação com ela, através de gestos,
            olhares, vocalizações e expressões faciais mais frequentes, prolongados e
            diversificados.</p>
         <p>Esses resultados apoiam achados de outros estudos que mostram os benefícios da música ao
            vivo nas respostas fisiológicas e comportamentais do bebê pré-termo (<xref
               ref-type="bibr" rid="ASF2006">Arnon et al., 2006</xref>; <xref ref-type="bibr"
                  rid="EOMCSPL2014">Ettenberger et al., 2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="GBUM2014"
               >Garunkstiene et al., 2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="LSDTH2013">Loewy et
               al., 2013</xref>). Em particular, as intervenções ao vivo com canto contingente aos
            sinais do bebê favorecem a sua autorregulação e o seu desenvolvimento (<xref
               ref-type="bibr" rid="H2014">Haslbeck, 2014</xref>; <xref ref-type="bibr"
               rid="MSČPPC2012">Malloch et al., 2012</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="S2011"
               >Shoemark, 2011</xref>). Além de ser uma intervenção musicoterápica com canto ao
            vivo, a IMUSP envolveu o canto materno. As intervenções com voz e canto materno
            destacam-se por favorecerem efeitos positivos tanto para o bebê quanto para a mãe, uma
            vez que a voz materna é uma fonte de estimulação privilegiada tanto para o feto quanto
            para o recém-nascido, promovendo o vínculo e a comunicação afetiva entre a díade (<xref
               ref-type="bibr" rid="ADBRSL2014">Arnon et al., 2014</xref>; <xref ref-type="bibr"
               rid="BOSSB2014">Butler et al., 2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="C2008"
               >Cevasco, 2008</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="FDAIG2013">Filippa et al.,
               2013</xref>).</p>
         <p>Acredita-se que a contribuição da musicoterapia pode ter se somado a outros fatores,
            como por exemplo, o contato pele-a-pele entre mãe e bebê realizado na posição canguru,
            que foi sempre associado ao canto a partir do Encontro 6. <xref ref-type="bibr"
               rid="ADBRSL2014">Arnon et al. (2014)</xref> compararam o método canguru junto ao
            canto materno, com apenas o método canguru, em um estudo longitudinal randomizado com 86
            bebês e suas mães. Os resultados mostraram que quando as mães cantavam junto com o método canguru, os bebês apresentavam uma melhor estabilidade do sistema nervoso autônomo e as
            mães mostravam-se menos ansiosas. No presente estudo, percebeu-se que o efeito conjunto
            do canto e da posição canguru contribuíram para o relaxamento, a estabilização da
            saturação e o desenvolvimento das competências da bebê.</p>
         <p>Com relação ao <italic>empoderamento da mãe</italic>, ao longo dos encontros da IMUSP e
            no <italic>follow up</italic>, ela conseguiu relaxar mais, superar a vergonha e o medo
            de interagir com a bebê e fortalecer as suas competências maternas, tanto nos episódios
            de canto quanto nos de não-canto. Entretanto, quando a mãe cantava, ela conseguia se
            engajar mais com a filha em comportamentos de carinho, toque e contato face-a-face mais
            prolongados e diversificados. A literatura mostra que a musicoterapia pode reduzir a
            ansiedade e o estresse da mãe (<xref ref-type="bibr" rid="JLPG2015">Ak et al.,
               2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="ADBRSL2014">Arnon et al., 2014</xref>; <xref
               ref-type="bibr" rid="C2008">Cevasco, 2008</xref>), favorecer seu relaxamento e
            ajudá-la a desenvolver as competências maternas (<xref ref-type="bibr" rid="EOMCSPL2014"
               >Ettenberger et al., 2014</xref>). De fato, o canto materno pode ajudar a diminuir o
            sentido de incompetência da mãe frente à prematuridade, ajudando-a a participar do
            bem-estar do filho e impactando na relação mãe-bebê (<xref ref-type="bibr" rid="C2008"
               >Cevasco, 2008</xref>). Em particular, no presente estudo a intervenção mostrou-se
            muito importante para o despertar de competências maternas cujo desenvolvimento pode ter
            sido afetado pelo nascimento prematuro do bebê, por dificuldades pessoais da mãe e pela
            experiência traumâtica da internação na UTINeo. Neste sentido, intervenções de
            musicoterapia deveriam ser implementadas precocemente durante a internação, para atender
            as demandas iniciais da maternidade, do bebê e da própria relação mãe-bebê, em especial
            no contexto da prematuridade. Ainda, é importante desenvolver intervenções centradas na
            família, incluindo ambos os pais na intervenção, orientando-os e apoiando-os a interagir
            vocalmente com o bebê prematuro (<xref ref-type="bibr" rid="E2011">Edwards, 2011</xref>;
               <xref ref-type="bibr" rid="H2014">Haslbeck, 2014</xref>; <xref ref-type="bibr"
               rid="S2011">Shoemark, 2011</xref>).</p>
         <p>Juntos, os achados do presente estudo apoiam os descritos na literatura, uma vez que os
            encontros da IMUSP contribuíram para o bebê, a mãe e interação mãe-bebê. O fato da mãe
            participar vocalmente da musicoterapia, ofereceu a possibilidade dela se engajar
            ativamente nos cuidados com a filha, reduzindo as suas vivências de impotência dentro da
            UTINeo (<xref ref-type="bibr" rid="C2008">Cevasco, 2008</xref>; <xref ref-type="bibr"
               rid="EOMCSPL2014">Ettenberger et al., 2014</xref>). Em particular, a IMUSP não apenas
            envolvia a participação da mãe, mas também oferecia um acompanhamento constante da díade
            e valorizava as preferências musicais maternas. Ambos os fatores têm sido destacados
            como importantes na eficácia de intervenções e para a permanência das mães nos estudos
               (<xref ref-type="bibr" rid="BE2006">Blumenfeld &amp; Eisenfeld, 2006</xref>; <xref
               ref-type="bibr" rid="EOMCSPL2014">Ettenberger et al., 2014</xref>; <xref
               ref-type="bibr" rid="L2015">Loewy, 2015</xref>). Tanto as mães como os pais de bebês
            internados em UTI Neonatais passam por dificuldades e desafios emocionais intensos,
            sendo por isso importante garantir intervenções mais prolongadas que possibilitem o
            estabelecimento de uma relação terapêutica entre musicoterapeuta e os genitores (<xref
               ref-type="bibr" rid="EOMCSPL2014">Ettenberger et al., 2014</xref>). Nesse sentido, no
            presente estudo o papel da relação musicoterapeuta-mãe-bebê foi fundamental, uma vez que
            a presença da musicoterapeuta com sua atitude de escuta sensível, apoio e valorização do
            canto materno, ofereceu um suporte para que a mãe adquirisse confiança sobre as suas
            competências e conseguisse se dedicar mais à interação com a filha. O canto da
            musicoterapeuta e o acompanhamento ao violão foram utilizados como recursos de interação
            com a díade mãe-bebê, contribuindo dessa forma para estabelecer uma relação terapêutica.
            No entanto, estudos com estas características ainda não têm sido muito usados e a
            maioria das pesquisas relatadas na literatura envolve intervenções breves e pontuais,
            raramente dirigidas à díade, mas prioritariamente ao bebê (<xref ref-type="bibr"
               rid="PNP2017">Palazzi, Nunes, &amp; Piccinini, 2017</xref>).</p>
         <p>Ainda, os episódios de canto evidenciaram uma contingência entre os comportamentos da
            díade, mostrando como o <italic>empoderamento da bebê e da mãe </italic>contribuiu para
            a relação entre elas. Apesar de ser uma minoria, alguns estudos sugeriram que a
            musicoterapia promove o apego (<xref ref-type="bibr" rid="C2008">Cevasco, 2008</xref>),
            a responsividade parental (<xref ref-type="bibr" rid="W2007">Walworth, 2007</xref>), a
            relação mãe-bebê (<xref ref-type="bibr" rid="EOMCSPL2014">Ettenberger et al.,
               2014</xref>) e a sincronia interacional da díade (<xref ref-type="bibr" rid="H2014"
               >Haslbeck, 2014</xref>). Por exemplo, no estudo de <xref ref-type="bibr"
               rid="EOMCSPL2014">Ettenberger et al. (2014)</xref>, as mães relataram que a
            musicoterapia as ajudou a terem mais motivação para estar com os filhos, a conhecê-los e
            a comunicar mais amor para eles. Nesta mesma direção, no presente estudo a mãe relatou
            que inicialmente não tinha muito interesse na filha e que os encontros de musicoterapia
            a ajudaram a ter mais motivação e vontade de conhecer, tocar, estar e interagir com ela.
            Durante o canto materno, tanto a bebê quanto a mãe engajavam-se mais, compartilhando
            contatos face-a-face e olhares recíprocos mais prolongados e interagindo através das
            expressões faciais, do canto ou da fala materna e das vocalizações da bebê. De fato, o
            canto materno parece favorecer um maior engajamento da bebê e aumento de sua atenção,
            contribuindo para uma maior coordenação emocional entre a díade (<xref ref-type="bibr"
               rid="NT2004">Nakata &amp; Trehub, 2004</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="P2010"
               >Peretz, 2010</xref>).</p>
         <p>Os resultados do presente estudo apoiam a expectativa inicial de que a musicoterapia
            contribui para o relaxamento do bebê e da mãe, para a sensibilização da mãe na
            utilização do canto e para a qualidade da interação mãe-bebê. Contudo, foi possível
            também observar alguns resultados inesperados. Destacam-se, por exemplo, as dificuldades
            da mãe de cantar para a filha nos primeiros quatro encontros da intervenção, assim como
            sua agitação e ansiedade. Isso ressalta o quanto a presença de um musicoterapeuta no
            ambiente ameaçador da UTINeo pode contribuir para apoiar e acompanhar o canto materno. O
            musicoterapeuta nesse contexto pode desempenhar um papel de mediador na transição da mãe
            para a maternidade, para o despertar das suas competências maternas e para facilitar a
            interação mae-bebê.</p>
         <!-- sec lvl 3 begin -->
         <sec>
            <title>Limitações</title>
            <p>Antes de encerrar é importante destacar algumas limitações deste estudo. Em primeiro
               lugar, tendo em vista a complexidade da situação envolvendo prematuridade, não foi
               possível respeitar todos os critérios de inclusão e exclusão previstos inicialmente.
               Por exemplo, o fato da mãe não ser primípara e ter já o hábito de cantar para os
               filhos maiores contribuiu para reforçar os benefícios da intervenção. Por outro lado,
               o fato dela não morar com o pai da bebê, sua limitada disponibilidade de tempo, as
               preocupações com os outros filhos ainda pequenos em casa e a fragilidade da rede de
               apoio familiar, podem ter dificuldado seu envolvimento com a intervenção. Soma-se a
               isto o fato de termos evidências de apenas uma díade e por esta razão é importante
               que a IMUSP seja usada em uma amostra maior.</p>
            <p>Também, não investigamos a ansiedade e depressão materna antes e após a intervenção,
               o que se sugere que seja feito em estudos futuros. A presença de depressão materna
               poderia ter constituido uma dificuldade a mais para a intervenção, dificultando o
               envolvimento da mãe com o canto para a filha e na interação com ela.</p>
            <p>Além disto, a aplicação da IMUSP teve de ser flexibilizada em função das
               circunstâncias envolvendo a bebê, a mãe e a UTINeo, sendo realizado apenas um
               encontro individual com a mãe e todos os outros com mãe-bebê. Contudo, apesar de ser
               considerada uma limitação, a flexibilização na implementação da IMUSP representou
               também uma vantagem ao possibilitar uma intervenção mais individualizada e adaptada
               às necessidades da díade, o que no final pode ter contribuído para fortalecer a mãe
               na interação com a filha. De fato, acredita-se na importância de intervenções que
               estejam próximas à realidade da clínica (<xref ref-type="bibr" rid="EOMCSPL2014"
                  >Ettenberger et al., 2014</xref>) e, por isto, é importante que na utilização da
               IMUSP se esteja sensível às demandas de todos os envolvidos com esta intervenção.
               Cabe também destacar que esse estudo foi realizado em um hospital público de Porto
               Alegre, onde a maioria das famílias dos bebês internados possuem um nível
               socioeconômico baixo, e isso acabou afetando em certa medida a implementação da
               IMUSP, como previsto no seu protocolo original.</p>
            <p>Outra possível limitação foi o uso para fins de análise dos dados da estrutura de
               temas (<xref ref-type="bibr" rid="H2013">Haslbeck, 2013</xref>, <xref ref-type="bibr"
                  rid="H2014">2014</xref>) originalmente voltados à interação musicoterapeuta-bebê,
               e que foi adaptada no presente estudo para ser empregada com a díade mãe-bebê.
               Também, o fato da analise ter sido baseada em uma abordagem dedutiva a partir de dois
               dos temas propostos por Haslbeck (<xref ref-type="bibr" rid="H2013">2013</xref>;
                  <xref ref-type="bibr" rid="H2014">2014</xref>) pode ter contribuido para que
               alguns aspectos possam não ter sido devidamente destacados. Contudo, procurou-se
               limitar esse risco, acrescentando aos temas outros aspectos específicos originados
               dos dados do próprio estudo. Ainda, os temas foram avaliados qualitativamente,
               permitindo aprofundar a análise, mas sem ter dados estatísticos sobre a frequência
               dos comportamentos observados. Por fim, tratando-se de um estudo de caso único, não
               permite uma compreensão exaustiva do fenômeno e, obviamente, a evolução da díade
               mãe-bebê também deveu-se a fatores de amadurecimento da bebê.</p>
         </sec>
         <!-- sec lvl 3 end -->
         <!-- sec lvl 3 begin -->
         <sec>
            <title>Considerações finais</title>
            <p>Apesar destas limitações, pode-se também destacar contribuições metodológicas desse
               estudo: o emprego da abordagem qualitativa e a ênfase na perspectiva da mãe e na
               interação mãe-bebê, aspectos raros nas pesquisas nessa área (<xref ref-type="bibr"
                  rid="H2012">Haslbeck, 2012</xref>); além da triangulação dos dados, através da
               utilização de entrevistas para compreender as percepções maternas e da observação
               direta da interação mãe-bebê. Além disso, a intervenção proposta no presente estudo
               apresentou contribuições relevantes: incluiu a participação da díade, proveu apoio
               emocional para a mãe, ofereceu a oportunidade da mãe desenvolver novas habilidades
               através do canto junto à filha prematura, contribuiu para o empoderamento da díade e
               para humanizar e “harmonizar” o ambiente ameaçador da UTINeo (<xref ref-type="bibr"
                  rid="C2008">Cleveland, 2008</xref>) e, por fim, teve um efeito potencialmente
               multiplicador para as mães que não participaram da intervenção e que foram também
               sensibilizadas a cantar para seus filhos internados na UTINeo.</p>
            <p>O presente estudo apoia a literatura ao ressaltar as contribuições da musicoterapia
               para o bebê pré-termo, a mãe e para a interação mãe-bebê. A música e o canto materno,
               por serem elementos universais, precoces e importantes no estabelecimento dos
               vínculos afetivos, contribuíram para aproximar mãe-filha, mesmo em um contexto tão
               adverso como o da UTINeo.</p>
            <p>A musicoterapia contribuiu também para a constituição psíquica desta mãe e para a
               relação com sua filha nascida prematura. Neste sentido, destaca-se a relevância de
               incluir a musicoterapia entre os cuidados da UTINeo, uma vez que é uma intervenção de
               baixo custo, que favorece o desenvolvimento infantil, o bem-estar materno e o vínculo
               mãe-bebê. Investir na relação mãe-bebê é fundamental tanto para o desenvolvimento
               infantil quanto para a saúde pública, ao contribuir para a promoção e a prevenção da
               saúde e a redução de gastos no contexto da prematuridade.</p>
            <p>Tendo em vista as evidências iniciais apresentadas no presente estudo, sobre a
               importância da IMUSP, novos estudos se fazem necessários para continuar examinando o
               potencial de uso desta intervenção. É necessário que se desenvolvam novas pesquisas
               nessa área que utilizem, por exemplo, um delineamento longitudinal, para que se possa
               investigar os efeitos da musicoterapia para a mãe-bebê a longo prazo. Além disto, é
               importante que os estudos envolvam não só a mãe nas intervenções, mas também o pai,
               focando na interação da díade e da tríade e investigando as perspectivas maternas e
               paternas sobre a musicoterapia no contexto da prematuridade.</p>
         </sec>
         <!-- sec lvl 3 end -->
      </sec>
      <!-- sec lvl 2 end -->
   </body>
   <back>
      <fn-group>
         <fn id="ftn1">
            <p>Todos os nomes foram alterados para preservar a privacidade dos participantes.</p>
         </fn>
         <fn id="ftn2">
            <p>A idade gestacional obstétrica calculada foi de 23 semanas, enquanto o teste de
               Ballard indicou 27 semanas. Em neonatologia, o teste de Ballard é uma técnica clínica
               comumente utilizada para o cálculo indireto da idade gestacional de um recém-nascido.
               O teste atribui um valor a cada critério do exame, a soma total é então usada para
               inferir a idade gestacional do bebê. Os critérios são divididos entre neurológicos e
               físicos e a soma dos critérios permite estimar idades entre 26 e 44 semanas de
               gestação. O escore de <italic>New Ballard</italic> acrescenta alguns critérios para
               estimar idades gestacionais a partir de 20 semanas (<xref ref-type="bibr"
                  rid="BKW1991">Ballard et al., 1991</xref>).</p>
         </fn>
         <fn id="ftn3">
            <p>O Índice de Apgar é um teste que consiste na avaliação de 5 sinais do recém-nascido
               (frequência cardíaca, respiração, tônus muscular, irritabilidade e cor da pele) no
               primeiro, no quinto e no décimo minuto após o nascimento, atribuindo-se a cada um dos
               sinais uma pontuação de 0 a 10. O somatório da pontuação resulta no Índice de Apgar
               que permite a classificação do recém-nascido como sem asfixia (Apgar 8 a 10), com
               asfixia leve (Apgar 5 a 7), com asfixia moderada (Apgar 3 a 4) e com asfixia grave
               (Apgar 0 a 2) (<xref ref-type="bibr" rid="A1953">Apgar, 1953</xref>).</p>
         </fn>
         <fn id="ftn4">
            <p>Considera-se a idade pós-menstrual como o somatório entre a idade gestacional ao
               nascimento (tempo entre o primeiro dia da última menstruação e o dia de nascimento do
               bebê), junto à idade cronológica ou pós-natal (dias ou semanas de vida do bebê)
                  (<xref ref-type="bibr" rid="AAP2004">AAP, 2004</xref>).</p>
         </fn>
         <fn id="ftn5">
            <p>Uma descrição mais detalhada do protocolo original da IMUSP encontra-se na
               dissertação de mestrado da primeira autora (<xref ref-type="bibr" rid="P2016"
                  >Palazzi, 2016</xref>).</p>
         </fn>
         <fn id="ftn6">
            <p>O Encontro 4 foi escolhido por ser o primeiro encontro a ser filmado com mãe-bebê, o
               Encontro 6 por ser o primeiro encontro com mãe-bebê em posição canguru e o encontro 9
               por ser o último encontro.</p>
         </fn>
         <fn id="ftn7">
            <p>No Encontro 6, sendo o primeiro episódio de não-canto de duração muito inferior ao
               último episódio de canto, foram selecionados os dois primeiros episódios de não-canto
               anteriores ao episódio de canto selecionado no mesmo encontro.</p>
         </fn>
         <fn id="ftn8">
            <p>Na observação da troca de fralda, realizada na Fase 5, o vídeo da filmagem era de
               duração inferior a três minutos e, por isto, todo o vídeo foi considerado para a
               análise.</p>
         </fn>
         <fn id="ftn9">
            <p>Essas indicações de tempo referem-se aos tempos identificados na análise dos vídeos
               da IMUSP e das sessões de observação.</p>
         </fn>
         <fn id="ftn10">
            <p>A letra ‘E’ seguida de número, indica o encontro da IMUSP (encontro 4, 6 ou 9); já,
               as abreviações 'Ent' e 'Ob' indicam que as vinhetas ou descrições derivaram das
               entrevistas ou das sessões de observação, respectivamente; por fim, o número que
               segue as abreviações 'Ent' e 'Ob' indica a fase que as sessões ou as entrevistas
               ocorreram (Fase 3, 4 ou 5).</p>
         </fn>
         <fn id="ftn11">
            <p>As expressões “<italic>infant directed-speech</italic>”, “<italic>motherese</italic>”
               ou "<italic>baby-talk</italic>" referem-se à fala prototípica utilizada por mães,
               pais e cuidadores ao falarem com bebês ou crianças. Esta fala é caracterizada por ser
               cadenciada, mais aguda, repetitiva, afetuosa e contingente (<xref ref-type="bibr"
                  rid="SGCCAMMLC2013">Saint-Georges et al., 2013</xref>; <xref ref-type="bibr"
                  rid="DF2014">DeFelipe, 2014</xref>). Na língua portuguesa estas expressões têm
               sido traduzidas com “fala dirigida ao bebê”, “manhês” ou "mamanhês" (<xref
                  ref-type="bibr" rid="DF2014">DeFelipe, 2014</xref>; <xref ref-type="bibr"
                     rid="PS2011">Pessoa &amp; Seidl de Moura, 2011</xref>; <xref ref-type="bibr"
                  rid="PLZ2010">Pierotti, Levy &amp; Zornig, 2010</xref>).</p>
         </fn>
      </fn-group>
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